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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MILAGRES

O que são?

Jesus cura um leproso.jpg
"Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão O seguiu. Eis que um leproso aproximou-se e prostrou-se diante d'Ele, dizendo: ‘Senhor, se queres, podes curar-me'. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: ‘Eu quero, sê curado'. No mesmo instante, a lepra desapareceu" (Mt 8, 1-3).
Quem, ao folhear as sagradas páginas da Bíblia, deparando-se com a realidade sublime dos milagres efetuados pelo Divino Salvador, não quereria haver estado lá para, influenciado por aquela atmosfera carregada de bênçãos, ser também objeto da bondade do Homem-Deus?
Mas o que são os milagres?
"A ordem admirável do céu estrelado apregoa e canta a glória de Deus e nos manifesta a inteligência infinita do Criador. Felizes os que sabem escutá-los!". 1 Assim como o homem utiliza-se da palavra para comunicar-se com os demais, Deus utiliza-se das criaturas para falar aos homens, fazendo destas um subsídio eficaz para atender à sede de infinito que Ele próprio imprimiu nas almas, à maneira de um instinto sobrenatural. Entretanto, é preciso estarmos atentos e sabermos escutar a voz de Deus que nos chama ao conhecimento d'Ele.
E como o homem, guiado pela razão natural, pode chegar a algum conhecimento de Deus por meio de signos e efeitos sensíveis, também "por meio de certos efeitos sobrenaturais, chamados milagres, ele será levado a um certo conhecimento sobrenatural das coisas da Fé". 
Assim, há uma economia de signos que nos revelam a presença de Deus entre nós. E nesta imensa constelação de manifestações divinas, o milagre não é uma manifestação de algo sem sentido ou que contrarie a natureza, mas desvela uma ação divina. 3 Na verdade, são "sinais do poder e da liberdade de Deus. Eles representam uma perfeição desejada e, em muitos casos (notadamente as curas), uma conclusão da natureza". 4 Não que Deus resolvesse mudar a reta ordem da natureza que Ele próprio criou, uma vez que cada criatura é o que é e como deveria ser. Contudo, "o fim último e remoto do milagre não pode ser outro senão Deus mesmo. Em todas as obras exteriores que Deus realiza, é impossível - porque seria contrário à ordem - que Ele se proponha outro fim que não seja a sua glória, naturalmente acidental e extrínseca". 
Ora, não podemos imaginar que, ao realizar um milagre, Deus tivesse apenas por princípio corrigir uma lacuna na ordem dos seres criados. Seria equipará-Lo a um inábil artista, que, tendo pintado de modo imperfeito um quadro, quisesse aperfeiçoá-lo para não cair em descrédito a obra de suas mãos. Ou, ainda, como um bom compositor que quisesse constantemente mudar as melodias de acordo com o bel prazer de sua vontade. Evidentemente tais atitudes são incabíveis em Deus. 
O milagre é o ponto onde a natureza - por vezes imperfeita e necessitada - encontra-se com a grandeza de uma ordem superior: a ação de Deus, que a completa e embeleza. Por este motivo, os milagres também encerram em si um fim altíssimo: a salvação eterna dos homens, pelo fato de os elevarem à consideração de seu fim sobrenatural. A Divina Providência, não contente em dar a conhecer os ensinamentos de seu amor, concede-nos ainda sinais, para que neles creiamos e A amemos ainda mais.
O pensamento antigo acerca do milagre se fundamentava em Santo Agostinho, que o definia como "todo acontecimento insólito que manifestamente ultrapassa a espera ou as capacidades daquele que o admira". E São Tomás chama milagre "o que é cheio de admiração, no sentido de que a causa fica absolutamente oculta para todos. Esta causa é Deus. Portanto, as coisas feitas por Deus fora das causas por nós conhecidas, são chamadas de milagres". 

[Ir. Maria Cecília Lins Brandão Veas, EP] 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

MAJESTOSA OBRA DO CRIADOR: Cataratas do Iguaçu


FOZ DO IGUAÇU_.jpg


Paisagem de exuberante beleza natural, as vastidões fragosas das Cataratas 
do Iguaçu convidam nosso espírito a contemplar o esplendor e a 
majestade do Criador. 

Era o ano de 1541, época de descobrimentos e conquistas no Novo Mundo, quando arribava na Ilha de Santa Catarina, cataratas do Iguaçu.jpgsul do Brasil, Alvar Núñez Cabeza de Vaca, fidalgo espanhol recém-nomeado governador do Rio da Prata. Intrépido e ousado, decidiu continuar por terra a viagem até Assunção, no Paraguai. Isso significava percorrer ermos não assinalados nos mapas, transpor rios caudalosos e altas montanhas, embrenhar-se em matas virgens habitadas por tribos hostis. Vencendo todos os obstáculos, ele e seus 240 homens fizeram o percurso em quatro meses e nove dias.
Durante a longa travessia, ao se aproximarem da atual fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, depararam-se com a visão ao mesmo tempo surpreendente e maravilhosa do maior conjunto de quedas d'água da Terra.
- Santa Maria, que beleza! Esta exclamação de Alvar Núñez deu o primeiro nome às esplêndidas cataratas até então nunca contempladas por olhos europeus: "Saltos de Santa Maria".
O rio do qual se originam era chamado pelos nativos de Iguaçu, isto é, "grandes águas". Sua imensa massa líquida desdobra-se ali em mais de duzentos saltos espalhados ao longo de um precipício recurvo com quase três quilômetros de extensão. E no centro desse imenso arco depara-se aos olhos dos visitantes o mais belo dos espetáculos: dispostas em apertado semicírculo, catorze majestosas quedas d'água de oitenta metros de altura trovejam sem cessar, formando magníficos véus de névoa que sobem ao céu no meio de lindos arco-íris. Não foi sem motivo que os primitivos habitantes chamavam aquele local de "o lugar onde nascem as nuvens".
* * *
Paisagem de exuberante beleza natural, as vastidões fragosas das Cataratas do Iguaçu convidam nosso espírito a contemplar o esplendor e a majestade do Criador. E, ao fazê-lo, brotam de nossos corações as palavras do salmista: "Levantaram as torrentes, ó Senhor, levantaram as torrentes sua voz, levantaram as torrentes seu fragor. Muito mais do que o fragor das grandes águas, muito mais do que as ondas do oceano, poderoso é o Senhor nos altos céus!" (Sl 93, 3-4).
Porque as Cataratas do Iguaçu são antes de tudo um espetáculo para a alma. Seu trovejante canto é um contínuo apelo para que o homem lembre serem as obras de Deus símbolos de uma realidade mais elevada. (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2011, n. 114, p. 50

[Marcos Enoc Silva Antônio]

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A ORAÇÃO NOS UNE A DEUS!

Quem Ora ignora a morte, deixa a terra, entra no céu e vive com Deus. Comprove aqui:

A Crucifixão de São Pedro - Caravaggio; os Santos Mártires nos ensinam que quem Ora não teme a morte.
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Santo Afonso de Ligório
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Quem se vale da oração, desta grande arma, diz São Pedro Crisólogo, ignora a morte, deixa a terra, entra no céu e vive com Deus.
Não cai em pecado, perde o apego às coisas da terra, entra no Céu e já nesta vida começa a gozar da presença de Deus.
De que serve, pois, alguém angustiar-se e dizer: Estarei inscrito no livro da vida? Quem sabe se Deus me dará a graça eficaz e a perseverança?
“Não vos preocupeis, mas com muitas orações e rogos, com ação de graças, sejam conhecidas as vossas súplicas diante de Deus!” (Fl. 4, 6).
De que serve, diz o Apóstolo, perturbar-vos com estes pensamentos angustiantes e com estes temores?
Afugentai, portanto, todas essas ansiedades que só servem para diminuir a vossa confiança e tornar-vos mais tíbios e preguiçosos no caminho da salvação.
Rezai sempre; fazei que vossas orações sejam ouvidas por Deus e agradecei-lhe sempre as promessas que vos fez de conceder-vos sempre os dons que pedis, a graça eficaz, a perseverança, a salvação, e tudo o que quiserdes.
O Senhor pôs-nos em batalha contra poderosos inimigos, mas é fiel às suas promessas. Não consente que sejamos atacados além de nossas forças.
“Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados mais do que podem as vossas forças”. (1Cor. 10, 13). É fiel, porque socorre imediatamente a quem o invoca.
Escreve o douto eminentíssimo cardeal Gotti que o Senhor, não é obrigado a dar-nos sempre uma graça igual à tentação;
Mas é obrigado, quando somos tentados e recorremos a Ele, a dar-nos por meio da graça (que para todos tem preparada e oferece), a força suficiente, com que oportunamente possamos resistir às tentações:
“Em virtude de graça que põe à nossa disposição e nos oferece, Deus é obrigado a conceder-nos, quando somos tentados e a Ele recorremos, as forças necessárias para podermos resistir e para que resistamos de fato; pois tudo podemos naquele que nos conforta pela graça, se humildemente pedirmos”.
Tudo podemos com o auxílio divino, que será concedido sempre a quem pede; por isso, não temos desculpas, quando somos vencidos pela tentação.
Fomos vencidos, porque não rezamos. Pela oração, podemos desarmar todas as ciladas do demônio. Pela oração, diz Santo Agostinho, afugentamos todos os males.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

BENS PASSAGEIROS e ou ETERNOS:

No Céu, a fé e a esperança não existirão mais;
porquanto as névoas que nos obscurecem a razão serão dissipadas.
O nosso espírito terá a inteligência das coisas que lhe são ocultas neste mundo.
Não esperaremos mais nada, visto que teremos tudo.



Ninguém espera adquirir um tesouro que possui… Mas o amor! Oh! Seremos inebriados dele, seremos afogados, perdidos nesse oceano de amor divino, aniquilados nessa imensa caridade do Coração de Jesus!…
Por isto a caridade é um antegozo do Céu. Se soubéssemos compreendê-la, senti-la, saboreá-la, oh!
Como seríamos felizes! O que faz que sejamos infelizes é não amarmos a Deus.
Quando dizemos: “Meu Deus, creio! Creio firmemente, isto é, sem a menor dúvida, sem a menor hesitação…”
Oh! Se nos compenetrássemos destas palavras:
“Creio firmemente que estais presente em toda parte, que me vedes, que estou debaixo dos Vossos olhos, que um dia Vos verei claramente eu próprio, que gozarei de todos os bens que me haveis prometido!..
Meu Deus, espero que me recompenseis de tudo o que eu tiver feito para Vos agradar! Meu Deus, eu Vos amo! Tenho um coração para
vos amar!…”
Oh! Como este ato de fé, que é também um ato de amor, bastaria para tudo!…
Se compreendes a ventura que temos de poder amar a Deus, ficaríamos imóveis no êxtase…
Se um príncipe, um imperador, fizesse comparecer perante si um de seus súditos e lhe dissesse:
“Quero fazer a tua felicidade; fica comigo, goza de todos os meus bens; mas cuida de não me desagradares em tudo o que for justo”; que cuidado, que ardor esse súdito não poria em satisfazer o seu príncipe!
Pois bem! Deus faz-nos os mesmos oferecimentos… e nós não nos preocupamos com a Sua amizade; não fazemos nenhum caso das Suas promessas… Que pena!
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Fonte: retirado do livro “Espírito do Cura D’Ars” de Abbé A. Monnin.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

RECONHECIMENTO DE ANULAÇÃO DO CASAMENTO:

Papa vai simplificar processo de reconhecimento de anulação do casamento

Reconhecer a nulidade de um casamento significa dizer que, em razão de um defeito desde o início, o matrimônio nunca ocorreu.

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Papa vai simplificar processo de reconhecimento de anulao do casamento
O papa Francisco publicará nesta terça-feira duas cartas para simplificar o procedimento de anulação matrimonial - anunciou nesta segunda-feira o Vaticano, um mês antes do sínodo dos bispos sobre a família. Em 2014, o papa criou uma comissão encarregada de trabalhar nesta reforma, que protege o princípio de indissolubilidade do sacramento do matrimônio.
Reconhecer a nulidade de um casamento significa dizer que, em razão de um defeito que se arrastava desde o início, o matrimônio nunca ocorreu. Isso permite aos antigos cônjuges voltar a se casar religiosamente, enquanto a Igreja nega o divórcio e considera que um segundo casamento civil é uma infidelidade ao verdadeiro casal.
As duas cartas, uma para o Código de direito canônico e outra para o Código dos cânones das Igrejas orientais, devem simplificar procedimentos que atualmente são longos, caros e complicados.
Em janeiro, Jorge Bergoglio declarou que o procedimento era visto como "muito longo e cansativo". Além disso, o pontífice manifestou em várias ocasiões seu desejo de que o procedimento seja gratuito.
Foram propostas duas soluções em particular: a de dois julgamentos com uma só pessoa e a implementação de um recurso administrativo sob a responsabilidade de um bispo.
Além disso, a falta de fé do casal pode ser levada em conta entre os motivos da revogação. Muitas vezes, o casal se casou na igreja por pressão social, não percebendo que o sacramento que recebem é um compromisso de vida.

CRER e NÃO CRER, eis a questão!

O nosso corpo é um vaso de corrupção; é para a morte e para os vermes, tão só…
E, entretanto nós nos aplicamos a satisfazê-lo antes que a enriquecer a nossa alma, que é tão grande que nada se pode imaginar de maior, não, nada, nada.
Porquanto vemos que Deus, premido pelo ardor de sua caridade, não nos quis criar semelhantes aos animais; criou-nos à sua imagem e semelhança, vedes! Oh! Como o homem é grande!


O homem criado por amor não pode viver sem amor: ou ama a Deus, ou se ama e ama o mundo. Vede: é a fé que falta. Quando o homem não tem fé, é cego.
Aquele que não vê não conhece; o que não conhece não ama; o que não ama a Deus ama-se a si próprio e ao mesmo tempo ama os seus prazeres. Apega o coração a coisas que passam como fumo.
Não pode conhecer nem a verdade nem bem algum; só pode conhecer a mentira porque não tem a luz; está na névoa.
Se tivesse a luz, veria bem que tudo o que ele ama só lhe pode dar a morte eterna; é um antegozo do inferno.
Fora de Deus, como vedes, nada é sólido, nada, nada! Se é a vida, passa; se é a fortuna, desmorona-se; se é a família, é destruída; se é a reputação, é atacada.
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Nós vamos como o vento.
Tudo passa com velocidade, tudo se precipita. Ah! Meu Deus, meu Deus! Como são, pois, para lastimar esses que põem o seu afeto em todas essas coisas!…
Põem-no, porque se amam demasiado; mas não se amam com amor razoável; amam-se com o amor de si mesmos e do mundo, procurando-se e procurando as criaturas mais do que a Deus.
É por isto que nunca estão contentes, nunca tranquilos; estão sempre transtornados.
Vedes, o bom cristão percorre o caminho deste mundo montado num belo carro de triunfo; esse carro é puxado pelos anjos, e é Nosso Senhor quem o conduz; ao passo que o pecador é atrelado ao carro da vida, e o demônio, que está na boleia, o força a avançar a largas chicotadas.
Os três atos de fé, de esperança e de caridade encerram toda a felicidade do homem na terra.
Pela fé nós cremos aquilo que Deus nos prometeu, cremos que o havemos de ver um dia, que o possuiremos, que estaremos eternamente com ele no Céu.
Pela esperança guardamos o efeito dessas promessas: esperamos que seremos recompensados de todas as nossas boas ações, de todos os nossos bons pensamentos, de todos os nossos bons desejos; pois Deus leva em conta mesmo os bons desejos.
Que mais é preciso para ser feliz? 

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Fonte: retirado do livro “Espírito do Cura D’Ars” de Abbé A. Monnin.

sábado, 15 de agosto de 2015

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA:

Tudo o que você precisa saber sobre a Festa de hoje, em uma única reflexão:

Assunção da Virgem - Fra Angélico (1430)
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Um fato que chama a atenção é que Nosso Senhor, na História Sagrada,
Tenha querido Ele mesmo subir aos céus aos olhos dos homens e depois também tenha querido que a Assunção de Nossa Senhora para o Céu se desse aos olhos dos homens. Por que esta Ascensão e depois esta Assunção deveriam dar-se aos olhos dos homens?
A Ascensão tem várias razões e a mais protuberante dessas razões é de caráter apologético.
Era preciso que os homens pudessem dar testemunho deste fato histórico duplo: não só de que Nosso Senhor ressuscitou, mas de que tendo ressuscitado Ele subiu aos céus, a sua vida terrena não continuou.
Ele subiu ao Céu, e subindo ao Céu Ele abriu caminho para todas as incontáveis almas que estavam no Limbo e que estavam esperando a Ascensão dEle para irem se assentar à direita do Pai Eterno.
Quer dizer, antes de Nosso Senhor Jesus Cristo entrar no Céu ninguém podia entrar, só os Anjos estavam lá. Ele, na Sua Humanidade santíssima, foi a primeira criatura – ao mesmo tempo em que Ele era Homem-Deus – a subir aos céus como nosso Redentor; e Ele abriu o caminho dos céus para os homens.
Mas havia uma outra razão que era a seguinte: era preciso que Ele, que tinha sofrido todas as humilhações, tivesse todas as glorificações.
E glória maior e mais evidente não pode haver para alguém do que o subir aos céus, porque é o ser elevado por cima de todas as alturas.
Estar acima de todas as coisas da terra e unir-se com Deus Nosso Senhor, transcender de todo esse mundo de onde nós estamos e ir para o céu empíreo onde Deus está, para unir-se a Ele eternamente.
Nosso Senhor quis que Nossa Senhora tivesse a mesma forma de glória, e que assim como Ela tinha participado de maneira única do mistério da cruz, participasse também da glorificação dEle.
E a glorificação dEla se dava por esta forma, sendo levada aos céus. Mas era uma assunção e não uma ascensão. A ascensão era a subida de Nosso Senhor ao Céu por Sua própria força, pelo Seu próprio poder.
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A assunção não é uma ascensão.
Nossa Senhora não subiu ao Céu por um poder inerente à sua natureza: Ela subiu ao Céu pelo ministério dos Anjos, Ela foi carregada, foi levada ao Céu pelos Anjos.
E esta foi a grande glorificação dEla nesta terra, prelúdio da glorificação dEla no Céu; porque no momento em que Ela subiu ao Céu, foi coroada como Filha dileta do Pai Eterno, como Mãe admirável do Verbo Encarnado e como Esposa fidelíssima do Divino Espírito Santo. Ela teve uma glorificação na terra e depois uma glorificação no Céu.
E nós devemos conceber a Assunção como tendo sido um fenômeno gloriosíssimo.
Infelizmente, os pintores da Renascença, e os que de lá para cá nos apresentaram a Assunção, não souberam descrever de um modo adequado a glória que deve ter cercado este espetáculo.
Nós devemos imaginar o seguinte: é próprio às coisas da terra que quando se quer glorificar alguém, todo mundo – vamos dizer numa casa, por exemplo – se põe nos seus melhores trajes, na casa se exibem os melhores objetos, se ornamenta a casa com flores, tudo o que há de mais nobre na casa é exibido para glorificar a pessoa a quem se quer homenagear.
Esta regra está dentro da ordem natural das coisas e é seguida também no Céu. E é claro que o maior brilho da natureza angélica, o fulgor mais estupendo da glória de Deus nos Anjos tem que ter aparecido exatamente no momento em que subiu ao Céu Nossa Senhora.
E deveriam estar – se for permitido aos mortais considerarem os Anjos com seus próprios olhos – rutilantíssimos, com um esplendor absolutamente invulgar.
E se não foi dado a todos os mortais contemplar os Anjos nesta ocasião, é certo pelo menos que a presença deles se fazia sentir de um modo imponderável; porque muitas vezes na história a presença dos Anjos se faz sentir de um modo imponderável, embora não seja propriamente uma visão, ou uma revelação deles.
E é natural também que nesta hora o sol tenha brilhado de um modo magnífico, que o céu tenha ficado com cores variadas refletindo de modo diverso, como numa verdadeira sinfonia, a glória
de Deus.
E é natural que as almas das pessoas felizes que estavam ali presentes tenham sentido essa glória em si de um modo extraordinário, de maneira tal que tenha havido ali uma verdadeira manifestação do esplendor de Deus em Nossa Senhora.
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O esplendor da Assunção
Mas nenhum desses esplendores podia se comparar com o próprio esplendor de Nossa Senhora subindo ao Céu.
À medida que Ela ia subindo, com certeza, como numa verdadeira transfiguração, como num verdadeiro monte Tabor, a glória interior dEla ia transparecendo aos olhos dos homens.
Falando dEla diz o Antigo Testamento: omnis glória filia regis ab intos - toda [a] glória da filha do rei lhe vem de dentro, daquilo que está dentro dEla.
E com certeza essa glória interna que Ela tinha se manifestou do modo mais estupendo quando, já no alto de sua trajetória celeste, Ela olhou uma última vez para os homens, antes de definitivamente deixar esse vale de lágrimas e ingressar diante da glória de Deus.
Compreende-se que tenha que ter sido, depois da Ascensão de Nosso Senhor, o fato mais esplendorosamente glorioso da história da terra, comparável apenas ao dia do Juízo Final, em que Nosso Senhor Jesus Cristo virá em grande pompa e majestade, diz a Escritura, para julgar os vivos e os mortos e que com Ele, toda reluzente da glória dEle, de um modo indizível, aparecerá também Nossa Senhora aos nossos olhos.
Nós devemos considerar aí a impressão que tiveram os apóstolos e os discípulos quando A viram subir ao Céu.
Devemos considerar o fato que todo mundo conta, que a tradição narra, a respeito de São Tomé. São Tomé, como os senhores sabem, duvidou e porque ele duvidou foi convidado por Nosso Senhor a meter a mão na chaga sagrada do flanco dEle, para certificar-se que era realmente Nosso Senhor.
Ele recebeu Pentecostes, se tornou um apóstolo confirmado em graça, tornou-se um grande santo.
Mas conta uma tradição venerável que, porque duvidou, na hora da morte de Nossa Senhora ele não estava presente, nem na hora da Assunção; e que chegou quando Nossa Senhora já estava subindo ao Céu, já estava a certa distância da terra; foi aí que ele foi trazido pelos Anjos para contemplar o resto da Assunção.
Aí os senhores vêem aquilo que nós poderíamos chamar a índole de Nossa Senhora, a cuja qualificação a palavra materna não basta, seria uma índole super materna, arqui-materna, incomparável.
Quando Ela subia ao Céu e ele recebia esse castigo pungente – merecido por uma culpa tão reparada – de não ter podido estar presente à morte e Assunção de Nossa Senhora, ele chegou, olhou para Ela. Então, conta-se que Ela sorrindo, concedeu uma graça a ele que não concedeu a
nenhum outro:
Ela desatou o seu cinto e de lá de cima fez cair o cinto sobre ele, de maneira tal que ele recebeu com – já não direi o perdão, porque ele já estava perdoado – a remissão uma suprema graça, que era uma relíquia direta dEla, atirada para ele do mais alto dos céus.
É assim Nossa Senhora quando tem algo a perdoar a algum filho muito dileto.
Ela pune às vezes, porque às vezes Ela sequer pune, mas faz seguir essa punição de um sorriso tão bondoso, de um perdão tão completo e de uma graça tão grande que São Tomé, voltando para casa com os apóstolos, quase poderia mostrar esse presente dado a ele e dizer: o felix culpa, ó culpa feliz!
Eu tive a desgraça de duvidar de meu Salvador, mas em compensação eu tive a felicidade de receber esta relíquia direta e celeste de minha Mãe Santíssima.
O último sorriso dEla, o último favor dEla, a amenidade mais extrema, a bondade mais suave Ela deu exatamente a São Tomé e isto nos deve encorajar.
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O que pedir a Ela nesta data?
Não há nenhum de nós que em relação a Nossa Senhora não tenha falhas, não tenha algum perdão a pedir.
Nós devemos pedir a Nossa Senhora, nesta preparação da festa da Assunção, que Ela proceda assim maternalmente conosco, que Ela olhe para nossas falhas, mas que Ela nos dê um perdão, e que esse perdão seja o seguinte:
É possível que analisando as nossas próprias almas com aquela severidade implacável que é a condição de seriedade de todo exame de consciência, é possível que nós consideremos que estamos chegando um pouco atrasados na nossa preparação espiritual para os fatos profetizados por Nossa Senhora em Fátima.
Pois bem, nós devemos fazer a oração de São Tomé. 
Se chegarmos atrasados, que Ela nos dê essa graça, que Ela nos dê o favor especial, particularmente rico, particularmente suave, por onde de um momento para outro nós nos preparemos; de maneira tal que quando bater à porta de nossas almas a graça dos dias terríveis que se aproximam, estejamos prontos, cheios de enlevo.

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